Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Ondas de Solidão

Se possuísse uma canoa e um papagaio, podia considerar-me realmente como um Robinson Crusoé, desamparado na sua ilha. Há, é verdade, em roda de mim uns quatro ou cinco milhões de seres humanos. Mas, que é isso? As pessoas que nos não interessam e que se não interessam por nós, são apenas uma outra forma da paisagem, um mero arvoredo um pouco mais agitado. São, verdadeiramente como as ondas do mar, que crescem e morrem, sem que se tornem diferenciáveis uma das outras, sem que nenhuma atraia mais particularmente a nossa simpatia enquanto rola, sem que nenhuma, ao desaparecer, nos deixe uma mais especial recordação. Ora estas ondas, com o seu tumulto, não faltavam decerto em torno do rochedo de Robinson - e ele continua a ser, nos colégios e conventos, o modelo lamentável e clássico da solidão.

Eça de Queirós, in 'Correspondência'

Publicado por Maggie In Wonderland às 18:37
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2 comentários:
De Mário Rodrigues a 7 de Agosto de 2009 às 21:33
Caríssima, muito boas noites,
Como o senhor Juarroz não era muito adepto do desporto, optava por competir consigo próprio, através daquilo que ele designava como ‘os seus dois jogadores’: o pensamento e a escrita.
Fazia, assim, jogos para verificar quem era mais criativo: se o pensamento se a escrita.
Para o senhor Juarroz – que se considerava árbitro desta disputa, portanto: exterior e neutro em relação ao seu pensamento e à sua escrita – a vitória final era sempre da mesma parte: do pensamento. A sua escrita nunca conseguia se tão original como os seus raciocínios.
Porém, a decisão de o senhor Juarroz levantava sempre grande polémica interna pois a escrita argumentava que possuía provas físicas e concretas da sua criatividade, ao contrário do pensamento que nunca apresentava qualquer tipo de prova. A escrita do senhor Juarroz acabava sempre por o acusar de ser um árbitro parcial. Um batoteiro, portanto.
Autor: Gonçalo M. Tavares em "O Senhor Juarroz"

Um beijo do Mário
De Armando Correia a 8 de Agosto de 2009 às 10:53
Essa imensidão de gente, esse ruído constante que gira na nossa vida, essa onde que nos fustiga completamente em horas difíceis e se aproxima vagarosamente em horas alegres, meras ondas de passagem.

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